Um médico foi condenado por homicídio culposo por causa da morte de uma paciente durante um procedimento estético em Maringá, na região norte do Paraná. O julgamento foi feito nesta quarta-feira (27).
Álvaro Martins de Carvalho foi denunciado por homicídio com dolo eventual. Em 2006, ele fazia um procedimento estético na empresária Andrea Beltrame Serconek da Costa em uma clínica.
Segundo as investigações, a paciente teve parada cardiorrespiratória, foi socorrida pelo médico. A empresária foi levada para o hospital, onde acabou morrendo.
Mais de dez testemunhas foram chamadas para serem ouvidas ao longo do julgamento. Quatro homens e três mulheres fizeram parte do júri.
O caso-
O Ministério Público entrou com uma ação na Justiça em 2012, depois que o médico foi julgado e punido no Conselho Regional de Medicina (CRM). Ele responde ao processo em liberdade.
Segundo a denúncia, o médico assumiu o risco ao realizar o procedimento em uma clínica sem alvará para realização de cirurgias.
Além disso, a promotoria afirma que o local não tinha equipamentos primordiais de primeiros socorros e não contava com equipe especializada para este tipo de atendimento.
O promotor de Justiça Edson Cemensati, que acompanha o caso, disse que o procedimento foi feito sem anestesia e que a clínica não tinha desfibrilador.
"O procedimento que ele fez foi impróprio, ele não tinha os materiais necessários para ressuscitação. Na nossa ótica, ele assumiu o risco de causar o resultado", disse.
O advogado Adriano Bretas, que trabalha na defesa do médico, disse que Álvaro Martins de Carvalho não assumiu nenhum risco.
"O exame de necropsia dá conta que a causa mortis é indeterminada. A declaração de óbito dá conta que a causa mortis é indeterminada. A ausência do desfibrilador na clínica não foi a causa da morte da vítima mesmo porque, tão logo acionado o Samu, foi utilizado o desfibrilador e não foi suficiente para evitar a morte", afirmou.
27/04/2022
INFORMAÇÕES: G1.GLOBO.COM